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12/11/2013

Planos de corte manuais e softwares de otimização: Um divisor de águas da indústria moveleira

Adélia Covre explica o impacto da implantação dos softwares otimizadores na indústria moveleira ao início da década de 90

Portal do Montador de Móveis
Estávamos recém saindo da fabricação do móvel confeccionado em painel contra-placado e dando os primeiros passos para a fabricação de roupeiros confeccionado em FF (Finish-Foil).

Uma verdadeira evolução para a época, falamos aqui do final dos anos 80 e início da década de 90. No método anterior, o processo de fabricação parecia mais um verdadeiro palco de refugos, retalhos de madeira e restos de cola cascamite pelo chão de fábrica. As prensas comandavam os ciclos de produção.

Lembrando que a década de 90 começou com o colapso da União Soviética e o fim da guerra fria, globalização da economia e portanto consolidação do capitalismo internacional, fatos que abririam o mercado definitivamente para novas tecnologias e severas mudanças que estavam na iminência de acontecer.

Neste tempo eu nada mais era que uma jovem na busca por inovações....projetos de mobiliário eram executados na velha prancheta, no nanquim, no esquadro e régua “T”. Tempos em que tudo era feito no braço, com a velha calculadora como aliada e claro que os famosos planos de corte de chapa feitos à mão.

Executávamos os planos de corte sempre para lotes de 100 unidades o que acabava dando muito trabalho, perda de tempo que de nada ajudava a produção no dia a dia, sempre diferente da teoria.
Em 1992 precisamente, vivíamos ávidos por novidades, a era da automação no setor estava apenas prenunciada, necessidades foram surgindo no decorrer do caminho.

Precisávamos agilizar todos os processos da confecção do produto e no caso do plano de corte, era mais que evidente que algo precisava ser feito para facilitar o dia a dia na produção. Havia a necessidade de trabalhar com lotes diários de produtos agrupados e não apenas um lote de produto individualizado, o que impedia uma melhor eficiência fabril.

Foi quando através da Duratex ficamos sabendo que dois jovens engenheiros mecânicos da Unicamp, José Carlos e Cassio, haviam desenvolvido um software de otimização para corte de vidros e que estava sendo testado na então Santa Marina em São Paulo. Um sistema que rodava na linguagem do antigo DOS 3.2, o que de mais moderno existia na época, seu nome comercial era Símula 2D, na verdade apenas Símula inicialmente.

Uma enorme luz no fim do túnel foi o que enxergamos.  Como a Santos Andirá sempre foi o celeiro de testes de inovação para a Duratex, fomos induzidos a entrar em contato com os pais da ideia, testar o sistema, adaptá-lo e prepará-lo para a indústria moveleira.

O programa precisava de ajustes para rodar o plano na linguagem específica para atender a indústria moveleira. Para tais ajustes era necessário que alguém com sólidos conhecimentos de projetos, custos e chão de fabrica indicasse as particularidades características da industria moveleira. Foi quando um dos engenheiros, o José Carlos, mobilizou-se até nossa fábrica e junto a mim passamos 6 meses ajustando e parametrizando todo o software para este novo mercado.

Nascia assim o Simula 2D para a industria de móveis....um sistema que passou posteriormente a rodar em plataforma Windows, mais sofisticado, com alternativas de mobilidade nas cintas de manuseio de corte de chapas, fornecia percentuais de metragem quadrada de perdas, sobras e metragem real com valores de chapas para ser utilizada em centro de custos.
Imagem relatório Símula 2D
Já existiam na época os softwares de otimização de corte da Giben e Holzma respectivamente, mas estes eram desconhecidos até então no mercado brasileiro devido a serem encarados como utilitários vinculado às seccionadoras. Só tivemos inicio da corrida desenfreada para a automação industrial no setor moveleiro em 1994 com um dólar comprando 0,75 URV e neste momento chegaram as primeiras seccionadoras importadas com tais softwares  embarcados no pacote.

Por volta de 1998, passado um ciclo de 10 anos, o Símula foi assim perdendo seu poder quando a indústria moveleira nacional começou a se modernizar e investir maciçamente em tecnologia e implantação de sistemas, chegando até os dias de hoje.

O grande ciclo virtuoso de modernização total do parque fabril moveleiro ocorreu de 1994 a 1998, quando a relação dólar x real foi historicamente a mais favorável para a importação de máquinas e equipamentos. Já após os anos 2000, muitos outros softwares de otimização nacionais surgiram no mercado oferecendo uma solução acessível e independente da máquina adquirida. Neste cenário, o Símula mudou de nicho de mercado para a indústria de embalagens e de papelão ondulado.

Devido à restrita existência de registros históricos deste momento, viemos hoje aqui com o intuito de testemunhar mais um capítulo da história deste mercado tão peculiar, no qual ainda existe muito o que crescer e inovar pela frente!!!

Finalizo agradecendo o espaço deste blog para meu testemunho.

Adélia Covre

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